
Como tinha prometido, hoje estou escrevendo sobre como vejo Dízimo e Ofertas, um dos assuntos mais falados no meio evangélico. Mais falado que o próprio Cristo até. Você acha que não? Você acha que Jesus ainda é o centro das pregações dos evangélicos? Vamos conversar então!
Você que costuma ir a Igreja periodicamente não reparou que nos últimos 10 cultos que você foi não ouviu falar da cruz? Se ouviu faz o seguinte: No próximo que você for e você ouvir falar da cruz, uma pregação falando de Cristo de sua morte e ressurreição, falar do evangelho, pois Cristo é o evangelho, conte quanto tempo vai demorar pra ele, Cristo, ser mencionado de novo. E aproveitando o embalo, conte quantas vezes você irá ouvir falar de dinheiro, direta e indiretamente.
É quase impossível falar desse assunto sem levantar de cara um clima tenso, da parte de quem lê e de quem escreve também. Tentarei o máximo não ser hostil, mas de antemão confesso que será muito difícil.
Dízimo e ofertas é um tema que gera bate boca, discórdia, taxação, insistência, aversão e até mesmo indigestão (da minha parte). Tanto pra um lado quanto pro outro.
Existem sempre dois grupos. Um que olha por um lado do bolso e outro que olha pelo outro lado do bolso. Um quer arrecadar, outro não quer perder. Um acha o assunto desnecessário, outro acha imprescindível e assim sempre a raiz de todos os males faz juízo ao título.
Os mãos-de-vaca sempre buscam encontrar um meio de que sua avareza seja sustentada por um texto bíblico que os apadrinhem. Em contrapartida os que acham que devemos nos desgarrar dos bens materiais e o (dar), seria o meio mais funcional de se praticar tal desapego, buscam encontrar uma forma de não apenas sustentar sua tese como procuram também um texto incontestável de se obter mais e de forma obrigatória. Fazem com que mesmo os que não se vejam na necessidade de (dar), dêem pela obrigação do (dar).
Quero tentar levar esse assunto pelo ponto de vista bíblico, pois ele só tem valor pra quem crê na bíblia. Assim quero tentar enxergar o caso como ele é e não como eu queria que fosse. Como qualquer assunto sempre falo do meu ponto de vista e não dos outros, assim não faço aqui tese ou teorias sobre Dízimos e Ofertas e sim exponho meus pensamentos como sempre o faço.
Vamos começar pelo texto polêmico, o famoso Malaquias 3, mas antes de nos agarrarmos com esse texto como quem se enrosca numa jibóia, vamos tentar voltar um pouco mais atrás e partir do começo de tudo, pois só conhecendo o começo pode-se tentar desvendar o final.
Se voltarmos um pouco mais lá em Levíticos, já será suficiente pra se entender muita coisa.
“30 - Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.”
(Lv 27:30)
...
32 - “No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR.”
(Lv 27:32)
Em Levíticos vemos os primeiros textos em que o dízimo aparece como ordenança aos israelitas. Mas uma coisa que precisa ser analisada é o porquê das coisas. O que é Dízimo? Por que se dá o dízimo?
“A décima parte. / Uma espécie de imposto que consistia no pagamento da décima parte de determinado lucro”.
Lendo o texto por completo entendemos que com a divisão das tribos cada uma recebe um pedaço de terra como herança, como já mencionei em outro texto.
“Nessa partilha os filhos de Levi não tiveram parte na terra, pois o Senhor ‘Javé’ declarou que Ele próprio seria a herança deles. Assim os levitas foram separados para cuidar das coisas do templo. Todo processo litúrgico como ofertas e louvores era da responsabilidade dos levitas.”
Em Deuteronômio vemos isso claramente:
“Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel; das ofertas queimadas do SENHOR e da sua herança comerão.
Por isso não terão herança no meio de seus irmãos; o SENHOR é a sua herança, como lhes tem dito.”
(Dt. 18:1-2)
Eu vejo como uma distribuição de renda e funções. 11 trabalham para o sustento de 12, sendo que um dos 12 não exerce trabalhos braçais, mas gerencia a parte mais importante naquela sociedade, que era a parte religiosa.
Trazendo mais a frente, ainda nesse contexto histórico, com o passar do tempo muitas guerras foram travadas, algumas vencidas e outras perdidas. Em uma dessas vitórias e derrotas o povo se encontra cativo por povos que os escravizavam sem piedade e se perdeu muito da sua cultura e muitas vezes de sua própria língua, princípios e religião.
No contexto de Malaquias 3 o povo se encontrava totalmente esquecido das ordenanças do passado. O povo deixa de dar sustento ao templo que ainda era a casa dos Levitas, aqueles que não tiveram herança física e o próprio Deus judeu prometera sustentá-los. Assim era necessário trazer o povo ao compromisso antes estabelecido de dar o sustento aos Levitas. Os Levitas se encontravam totalmente abandonados e sem sustento. Deus precisava cumprir sua promessa.
10 - Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.
Para que os Levitas obtivessem seu sustento era preciso que o povo lhe desse sustento. E isso já não estava mais acontecendo. No versículo 11 onde mora maior parte da fantasia que aprisiona pessoas no que se diz respeito à tradução ou forma de interpretação da bíblia usada pra extorquir e denegrir a imagem religiosa, vemos:
Na versão Almeida
11- E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos.
Nesse versículo encontramos um prato cheio pra manipulação. Uma vez que a versão Almeida é cheia de duplas interpretações por sua forma ambígua de descrever inúmeros fatos, as pessoas que muitas vezes por não terem o hábito de procurar entender as coisas antes de aceitá-las sem pensar, tornam-se pratos cheios pra seres de corações corrompidos e vendidos a seus prazeres, que encontram nessas pessoas um banquete a se deleitar.
Ainda que você não seja um estudioso da bíblia, tenho um conselho simples pra te dar. Mesmo achando a versão Almeida, nesse versículo, já clara, leia mais versões. Talvez você descubra que seus pensamentos estejam te levando pra outros ares que se afastam da idéia real do texto, ou quem sabe apenas confirme sua idéia e raciocínio. Busque sempre chegar ao mais próximo de uma compreensão bem menos tendenciosa e mais consistente das coisas.
Para praticar releiamos esse texto na versão Católica, por exemplo:
“11 - Se não elimino as pragas das plantações, para que elas não acabem com a produção dos campos, nem reduzam a zero a safra dos vinhedos — diz o SENHOR dos exércitos...”
Mas se ainda não ficou claro vejamos a versão NVI:
11 - Para vos beneficiar afugentarei o GAFANHOTO, que não destruirá mais os frutos de vossa terra e não haverá nos campos vinha improdutiva - diz o Senhor dos exércitos...
Com uma simples releitura em outra versão temos o mesmo contexto com outra leitura da situação apresentada no texto. Onde ocorria ambigüidade na frase que a Almeida apresenta como devorador, dando espaço pra várias interpretações entre elas interpretações fantasiosas e mitológicas na Nova Versão Internacional, por exemplo, vemos o devorador aplicado como um ser real, biológico e nada místico.
Mas se ainda for insuficiente essa leitura, ou alguém ache essas outras versões não adequadas ou não bíblicas, que estude então os originais e quem sabe assim chega a uma compreensão mais histórica e menos mítica de Malaquias 3. Afinal, quanto mais misticismo mais mentes aprisionadas teremos.
***
O que tenho a dizer sobre dízimo, além de que Malaquias não tem contexto algum com os nossos dias, é que conforme na época de Malaquias a Igreja (instituição) precisa de sustento físico e pra isso precisa de seus associados. Eu não vejo mal algum em se ofertar no santuário. Não vejo maldade alguma em se dar 10% ou 90% para a manutenção ou até mesmo expansão dos templos. Uma vez que se tenham condições para tal coisa. O que me indigna de forma repulsiva é os estelionatários do evangelho extorquirem dinheiro do povo e usar das escrituras pra isso. Manipular deslavadamente o evangelho de Cristo pra enriquecerem nas custas dos menos instruídos da fé.
Hoje mais uma vez estamos vivendo esse circo depravado de grandes nomes da religião protestante sendo colocados na parede pelas autoridades. Acusados de crimes que quaisquer cidadãos religiosos honestos na fé e na dignidade cristã nunca seria acusado. Homens que levam o emblema da religião protestante no peito e pisam nela como se fosse tapete de beira de porta.
O evangélico não tem mais cara de Cristo, pois foi corrompido pela raiz de todos os males. Onde se encontra um honesto, verdadeiramente cristão já não se encontra mais nele a alegria em se levar esse nome.
O pior, é que mesmo vendo tudo isso o povo não faz nada. Baseado em mais alguns textos confusos e ambíguos de que não se deve tocar num “ungido do senhor”, se omitem e deixam que esses líderes calhordas maculem a imagem de sua crença e tradição. O Cristianismo protestante está morrendo e seus fiéis membros assistem sua própria ruína com as mãos cruzadas. Continuam a (dar) a se deixar manipular e muitas vezes se envolvem e logo estão dentro do mesmo jogo e fazendo parte de tudo que antes abominavam.
Jesus disse: A Minha casa não será casa do comércio. Chicoteando os ladrões dentro do templo. Pois os verdadeiros ladrões estão dentro da Igreja. Acusam o povo, baseados em textos fora de contexto, a roubar de Deus por não dizimarem mais; mas são eles quem vendem o evangelho de forma que enoja o próprio evangelho.
Infelizmente se Jesus voltasse agora encontraria o mesmo cenário que encontrou no passado. Sua casa mais uma vez sendo espaço pro comércio onde se é vendido mais que bugigangas, pois o próprio evangelho é a mercadoria.
Quem tem olhos veja e quem tem ouvidos ouça, diz o profeta.
Não veja o que eu mostro e não ouça o que eu falo. Leia, estude, busque. Eu não sou ninguém, apenas um jovem decepcionado com seus compatriotas. Alguém que não vai se calar diante dessa novela mexicana de quinta categoria que se tornou tudo isso.
Não vá na minha, não me dê crédito, mas não vá na deles e não dê créditos a eles. Não se omita. Isso já seria mais que suficiente. Quem me dera que você os tratasse com tanta resistência quanto me trata ao ler meus textos. Não tenho a pretensão de te desviar ou te trazer pra minha religião. Primeiro que não tenho e segundo que quanto mais você se desviar deles e de "mim", mais perto de Cristo você se aproximariá.
Eu só quero despertar em você a curiosidade. Se você pelo menos se interessar em não mais apenas ouvir e procurar suas próprias respostas já me sentirei com a missão cumprida.
Por essa razão eu lhes falo por parábolas:
“ ‘Porque vendo, eles não vêem
e, ouvindo, não ouvem
nem entendem’...
...Ainda que estejam sempre ouvindo,
vocês nunca entenderão;
ainda que estejam sempre vendo,
jamais perceberão.
Pois o coração deste povo
se tornou insensível;
de má vontade
ouviram com os seus ouvidos,
e fecharam os seus olhos.
Se assim não fosse,
poderiam ver com os olhos,
ouvir com os ouvidos,
entender com o coração
e converter-se, e eu os curaria."
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