segunda-feira, 15 de junho de 2009

MINISTÉRIO LEVÍTICO, EXISTE ISSO?



Texto:

Fala-se muito em Ministério Levítico como sendo um dom divino dado por Deus pra um seleto grupo. Normalmente com talentos de berço ou com muita força de vontade de ser escolhido pro ministério. Eu só não consigo entender de onde se tira tudo isso? Seria da bíblia? Afinal de contas tira-se tanta coisa dela, mesmo nela nunca tendo existido que não me assusto com mais nada.

Sem cursinho de teologia ou faculdade não é difícil entender coisas tão simples como essa. A bíblia se refere aos levitas como quem eles são nada mais.

Vejamos:

PRIMEIRO

Levitas são chamados os filhos de Levi. Um dos 12 filhos de Jacó (Israel) herdeiros da promessa abraãmica.

SEGUNDO

Na partição da terra prometida cada um dos 12 filhos de Israel herdou uma parte da terra. Nessa partilha os filhos de Levi não tiveram parte na terra, pois o Senhor “Javé” declarou que Ele próprio seria a herança deles. Assim os levitas foram separados para cuidar das coisas do templo. Todo processo litúrgico como ofertas e louvores era da responsabilidade dos levitas.

TERCEIRO

Uma vez assumido essa responsabilidade e dádiva, toda sua geração deveria servi de igual modo. Bastava nascer da tribo de Levi para se ser levita. Filho de peixe, peixinho é, filho de levita consecutivamente levitinha é. (rsrs)

Não consigo entender de onde se tira todo esse misticismo contemporâneo de que os músicos da Igreja são Levitas. Mesmo que se queira aludir o uso da termologia “Levita” como sendo apenas um símbolo e essa mesma traga a tais a responsabilidades e interatividade nas cosias sagradas, dando a eles “os músicos contemporâneos” tais direitos e deveres, ainda assim não faria juízo a tal conceito. Atribuem aos músicos das igrejas a responsabilidade de trazer a presença de Deus ao povo (como se o véu ainda não tivesse sido rasgado) parte escolhida como uma elite sagrada. Não que esses sejam melhores ou mais dignos da salvação, mas escolhidos a dedo por Deus para sua obra. Ou seja, “que responsabilidade ser um levita”, esquecendo apenas que os Levitas verdadeiros, (os filhos de Levi), tinham sim suas responsabilidades, porém gozavam também de seus privilégios. Que hoje em dia só o “clero” (pastores e grupos de louvor da elite gospel) gozam.
Muitos ministros de louvor querem trazer aos músicos de igreja e a si mesmos um jugo “bíblico” que de contexto bíblico mesmo não tem nada. Pregam que os músicos devem servir na casa de Deus (Igreja), mas a parte do gozar as bênçãos prometidas aos levitas de outrora pelo jeito não é mais para os nossos dias. Assim só os deveres devem ser mantidos, já os benefícios não.

Músico de igreja não é diferente de nenhum outro membro do corpo de Cristo. Pelo menos não biblicamente. Não são nada mais especiais que os outros.
Outra coisa que hoje tem mudado bastante mais ainda é um tabu é entender que música é arte e não adoração. Pode ser usada como ferramenta ao adora-se, mas não é o mecanismo, só mais um meio. O músico cristão não passa de um profissional, quando esse se dedica a tal, da indústria musical. Uma profissão como qualquer outra. Cantar, tocar ou ouvir música “não-sacra” não faz de quem canta, toca ou ouvi descrente ou maldito. Eu e você somos submetidos a escolhas todos os dias. Adoração não é um momento impar na sua vida, adoração é um estilo de vida uma postura de conduta e entrega. Adoração é uma escolha a cada dia. Quando eu canto não louvo, quando eu ouço não adoro, quando eu toco não ministro eu apenas ouço, toco ou canto por ouvir, tocar ou cantar, nada mais. Louvar é uma entrega que parte de um entendimento, sem entendimento não há louvor, no máximo palavras ao vento. Adorar não é prestar atenção ou ouvir algo e se empolgar, dançar e pular. Adorar é refletir algo que você já esteja cheio e não consiga mais suprimir. É expressar com a alma tudo que no coração já está impregnado. Ministrar (ministrar a palavra de Deus) por sua vez não é falar coisas que se querem ouvir ou tocar, dançar e induzir ninguém a nada. Ministrar é trazer clareza ao que está obscuro. Ministrar é compartilhar da mesma fonte que se saciou.

Isso é tão simples assim, por que se fala tanto dessas cosias como sendo algo místico? Não sei se é a resposta, mas acho que sei pelo menos de onde parte tanta ignorância.

***

Certa vez conversando com uma pessoa (Músico evangélico) esse me indagou sobre eu não tocar mais na igreja. Eu disse que música pra mim era passado e que eu estava em outra “profissão” agora. Indignado ele me diz:

_ Você é um levita irmão, não pode abandonar o ministério assim. Obviamente o perguntei:

_ Eu, Levita? Até onde sei não consigo levitar. (rsrsr) Eu disse-lhe que não era levita e sim paraibano nascido em Guarabira e que levita era quem nascido fosse de Levi, filho de Israel. Indignado ele me disse que ele era levita, pois, todos nós músicos somos filhos de Davi o maior levita. Mais uma vez não me contive.

_ Davi agora também é Levita? Mais indignado ainda ele ficou.

_ Como assim, vai me dizer agora que Davi não era levita?
Disse-me como quem olhara pra um verdadeiro perdido.

Impressionante o que andam ensinando por ai gente. Eu já ouvi falar de quatro seres viventes que são usados como fantoches dos crentes adoradores extravagantes que largam seus afazeres celestes a todo o momento e descem a terra para derramar suas unções sobre os “adoradores” e tudo mais, agora ouvir que Davi era levita já é forte de mais pra mim. Ser enganado com unções de seres da pra engolir, o povo não pensa mesmo e coisas um pouco mais complexas realmente podem ludibriar a mente, mas algo tão simples como genealogia ai não dá. (Definitivamente vou morrer e não vou ouvir tudo. rsrs)
Não agüentei, mas tentei me conter e fiz apenas mais uma pergunta a ele:

_ Você nunca ouviu a expressão “Filho de Davi leão da tribo de JUDÁ” não? Arregalou os olhos pra mim como se nunca em sua vida tivesse associado o Davi da tribo de Judá ao Davi músico. Bem, acho que deve vir daí toda essa mítica dos músicos como participantes do ministério levítico na igreja.

***

Desculpe-me minha indignação, mas crente não quer pensa, não tem a menor intenção de entender nada. Ele apenas engole tudo que seus lideres lhe derem na boca pra comer.

Eu falo essas coisas na ânsia de que alguém mesmo dominado pelo sistema possa ter um estalo e se indigne da mesma forma que me indignei quando me vi assim totalmente vendido ao julgamento de terceiros. Quem me dera você que leu isso se indignasse também e não mais engolisse tudo sem nem ao menos tentar mastigar. Pois sei que se mastigasse sentiria um gosto tão amargo que cuspiria tudo fora e com certeza procuraria alimento de verdade.

Conheço evangélicos que são homens e mulheres pensantes, mas o engraçado é que todos mais cedo ou mais tarde deixam de se referir a si mesmos como tais. Provavelmente pelo mesmo motivo que eu nego a essa referencia. A vergonha, não do evangelho mais dos evangélicos.

Se você ler esse texto e também te descer um nó na garganta ou ao contrário te suba uma fúria e que te esquente o sangue por ver alguém falando mal de você e de seus compatriotas seja pelo menos honesto com você mesmo antes de me criticar ou me ter com um insano herege que fala coisa com coisa, mas se ainda assim preferir, não leia mais esse blog, pois uma hora dessas você poderá se corromper e virar um herege como eu (rsrsr). Você discordar de mim não trará a inimizade entre nós, pois o que separa as pessoas não são as divergências de opiniões, mas sim a ignorância ao lidar com elas.


Não canso de repetir, não sou dono da verdade apenas livre pra discordar como você livre é pra discordar de mim.




Alexsandro Monteiro