domingo, 12 de abril de 2009

SORTE E AZAR



Texto:

Pra começar vamos dividir o assunto em duas partes que eu chamaria de visões.

Visão I

Sem religião, sorte ou azar são apenas substantivos usadOs para conjecturar uma ação inesperada.

“Pra ganhar na Mega Sena é preciso ter muita sorte”

Alguns diriam isso, mas o que é visto como sorte pra uns, é tido como azar pra outros e vice-versa. Matematicamente sorte ou azar não passam de variáveis de uma incógnita onde a probabilidade sempre será 50%. Sorte ou azar não passam de expressões usadas pra nomear os beneficiados ou desfavorecidos.

As palavras sugeridas vão mais além de ganhar prêmios em sorteios ou perder tudo numa partida. Não importa a ação ou reação esses substantivos apenas nomeiam os acontecimentos, nunca decidem ou respondem nada. Azar ou sorte não causa nada, não altera nada, não muda nada. As coisas simplesmente fluem ou não. Nada místico ou sobrenatura, apenas causa e efeito, ação e reação. Mas pra alguns tudo isso fica muito superficial e então preferem mistificar os acontecimentos dando inicio a um novo ponto de vista, o da religião.

Visão II

Com religião as coisas mudam. As coisas deixam de ser vistas como aleatória e se tornam sempre tendenciosas. Passa-se a não mais considerar as variáveis e descartam as probabilidades dando lugar apenas ao invariável onde tudo tem um destino um propósito. Sorte ou azar se tornam respostas aos acontecimentos.

Biblicamente as palavras referidas sugerem interferência divina.

“Eu o senhor mudarei a sua sorte”


O uso continua o mesmo. Ao mudar a situação desfavorável de alguém o beneficiando, sugere-se que uma situação tida como azarada, passou a uma situação de sorte. Quando a bíblia fala de mudar a sorte ela se refere a beneficio. Sorte não é visto como um jogo, mas apenas como resultado favorável. Mas uma vez é tida apenas como um substantivo que nomeia acontecimento de caráter favorável. A própria graça, tão discutida, é a sorte alterada da humanidade. No entanto a expressão azar nem é usada, uma vez que pra algumas religiões a palavra em si atrai o que ela sugere criando uma espécie de defesa em torno da palavra. Azar deixa de ser uma palavra apenas e começa a se tornar um fenômeno malévolo e contagioso. Algo que suscita apreensão, medo, receio, misticismo, o sinistro a mítica de um nome.

Mas poderíamos esperar nada menos que isso da intocável e incansável religião. Sempre cheia de imaginação e mais que isso, cheia de adeptos a qualquer coisa que ela sugira.

Por fim, sorte e azar são apenas palavras pra quem crer que essas não passam disso. Cada uma acredita no que quer acreditar. Pra quem crer que elas vão além, BOA SORTE! – (Neste caso apenas expressão, nada mais! - rsrs)



Alexsandro Monteiro